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Por Yu Shuaishuai, Ye Pingfan e Jia Yuankun
Desde que o ARJ21, produzido pela China, fez sua estreia em voos comerciais no exterior com a companhia aérea indonésia TransNusa, há um ano, o jato regional mostrou melhor desempenho no mercado do Sudeste Asiático.
No ano passado, a TransNusa adquiriu dois ARJ21 da Commercial Aircraft Corporation of China, Ltd. (COMAC) e os operou em seis rotas. Os aviões acumularam 3.560 horas de voo seguras e transportaram quase 120 mil passageiros.
O sucesso do ARJ21 marca uma conquista significativa no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR) no relacionamento crescente entre China e Indonésia.
ADAPTAÇÕES DO MERCADO LOCAL
Na Indonésia, os aeroportos têm frequentemente instalações limitadas e pistas curtas e estreitas, mas o ARJ21 se adapta bem a essas condições.
O vice-presidente da TransNusa, Leo Budiman, chamou o jato de “sucesso notável” e um avanço para o ARJ21 quando completou um voo fretado de Jacarta para Morowali, onde a pista do aeroporto era estreita e curta.
Wu Guofang, vice-presidente da COMAC Shanghai Aircraft Customer Service Co., Ltd., disse à Xinhua que o ARJ21 foi projetado para se adaptar a altas temperaturas e alta umidade, bem adequado ao clima da Indonésia e de outros países do Sudeste Asiático.
Para Yves Liga Pangeran Hakim, um dos pilotos da TransNusa, o ARJ21 é perfeito para o mercado local.
“Ele tem bom potencial e pode voar em pistas estreitas. Essa aeronave oferece soluções para o mercado indonésio de aviação. É um grande sucesso”, disse Hakim, que já voou no ARJ21 várias vezes.
O ARJ21 também foi implantado para voos internacionais, já que a TransNusa operou a aeronave na rota Jacarta-Kuala Lumpur em 2023.
Budiman disse que o ARJ21 recebeu “uma recepção notável” na Malásia, já que o jato adquiriu licenças para operar em seis aeroportos em todo o país.
“Mostraremos ao mundo que o ARJ21 é realmente adequado para o mercado local”, disse Budiman.
POTENCIAL PARA UMA REGIÃO MAIS AMPLA
Após seu sucesso na Indonésia, a COMAC procurou expandir sua presença comercial para mais países do Sudeste Asiático.
No Singapore Airshow 2024 em fevereiro, o ARJ21 e o C919, outro jato fabricado pela COMAC, chamaram a atenção. Durante o evento, a empresa recebeu encomendas de 40 jatos C919 e 16 jatos ARJ21.
Após o show aéreo, os dois jatos lançaram voos de demonstração em cinco países do Sudeste Asiático. Visando a cooperação com companhias aéreas locais nesses países, a COMAC está começando a estabelecer sua rede no mercado externo.
“A aeronave mostrou plenamente sua excelente estabilidade e adaptabilidade, recebendo respostas muito positivas da autoridade de aviação civil da Indonésia, das companhias aéreas indonésias e do mercado do Sudeste Asiático”, disse Wu.
Acreditando que o ARJ21 tem maior potencial de mercado na região, Budiman disse que o avião regional melhorará a conectividade entre as ilhas, o que é muito importante para a Indonésia e para toda a região.
“Vemos que a COMAC está fazendo melhorias a cada dia”, disse Budiman, acrescentando que a perspectiva é “muito promissora”.
De acordo com Wu, a COMAC estabeleceu um escritório de atendimento ao cliente em Jacarta, oferecendo treinamento de pessoal mais eficiente e localizado, peças de aeronaves e serviços de manutenção para clientes regionais.
Wu disse que a aeronave pode não só servir como ferramenta de transporte, mas também como ponte para melhorar a cooperação entre os dois países, acrescentando que mais oportunidades para uma maior cooperação podem ser exploradas.
BENEFÍCIOS À ECONOMIA LOCAL
Ao longo da última década, a Indonésia e a China estabeleceram uma cooperação produtiva em vários domínios.
A relação bilateral China-Indonésia nunca foi tão forte. A China é o maior parceiro comercial da Indonésia e um dos seus maiores investidores estrangeiros.
Em abril, a ferrovia de alta velocidade Jacarta-Bandung, o principal projeto construído conjuntamente pela China e pela Indonésia no âmbito da ICR, marcou seis meses de operação, em que foram transportados cerca de 2,56 milhões de passageiros.
Com uma velocidade projetada de 350 quilômetros por hora, a ferrovia de alta velocidade de 142,3 quilômetros reduziu a viagem entre Jacarta e Bandung, na província de Java Ocidental, de mais de três horas para cerca de 40 minutos.
Veronika Saraswati, especialista em China e pesquisadora do principal think tank da Indonésia, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse que os projetos de infraestruturas realizados por empresas indonésias e chinesas no âmbito da ICR transformarão as indústrias tradicionais da Indonésia e aumentarão as receitas fiscais nacionais e locais.
Teguh Dartanto, reitor da Escola de Economia da Universidade da Indonésia, quer ver uma relação mais forte entre a China e a Indonésia.
“Precisamos levar a relação a um próximo nível, onde não nos concentremos só na produção, nos negócios e no comércio, mas também na colaboração entre pessoas, na pesquisa e desenvolvimento e talvez na transferência de tecnologia e conhecimento”.
(Tao Fangwei, correspondente da Xinhua em Jacarta, também contribuiu para a matéria. Repórteres de vídeo: Di Chun, Jia Yuankun e Yu Shuai Shuai; Edição de vídeo: Zheng Kaijun e Qiu Qingyi)


