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A celebração do Dia Nacional do Chile, realizada em Brasília, reuniu representantes diplomáticos, autoridades e convidados para marcar a trajetória histórica do país sul-americano e reforçar os laços de amizade e cooperação com o Brasil.
A programação incluiu uma mensagem em vídeo do presidente chileno, José Antonio Kast, e pronunciamentos da secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, e do embaixador do Chile no Brasil, Issa Kort.
Os discursos abordaram a história da independência chilena, a cooperação econômica, os investimentos, o turismo, a integração regional e projetos estratégicos, como o Corredor Bioceânico de Capricórnio.
Presidente José Antonio Kast destaca patriotismo e vínculo com os chilenos no exterior
Em mensagem direcionada aos chilenos que vivem fora do país, o presidente José Antonio Kast enviou uma saudação por ocasião das Festas Pátrias e ressaltou a importância de manter os vínculos com a cultura, as tradições e a identidade nacional.
O presidente afirmou que, mesmo à distância, os chilenos permanecem unidos por sentimentos de alegria, fraternidade, patriotismo e esperança. Também mencionou elementos da cultura gastronômica chilena, como as empanadas e o vinho tinto, como símbolos de confraternização e conexão com a pátria.
Kast reconheceu a contribuição de artistas, cientistas, trabalhadores, atletas, estudantes e empreendedores que vivem no exterior, destacando o papel dessas comunidades na representação do Chile no mundo.
Ao encerrar a mensagem, desejou aos chilenos uma celebração marcada pela felicidade e pelo orgulho nacional, com uma saudação: “Viva o Chile!”.
Gisela Padovan ressalta a trajetória histórica da independência chilena
Em seu discurso, a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, destacou a honra de participar da celebração ao lado de chilenos e amigos do Chile.
A diplomata relembrou o estabelecimento da Primeira Junta Nacional de Governo, em 18 de setembro de 1810, e mencionou a atuação de líderes como Bernardo O’Higgins, José Miguel Carrera e Mateo de Toro y Zambrano no processo de independência.
Padovan enfatizou que a luta pela emancipação chilena estava relacionada a um projeto mais amplo de liberdade para os países sul-americanos. Também recordou a travessia dos Andes liderada pelo general argentino José de San Martín e as batalhas de Chacabuco, em 1817, e Maipú, em 1818.
Ao abordar a declaração de independência do Chile, a embaixadora relacionou o processo histórico à busca por soberania e à construção de uma identidade própria no contexto das Américas.
Chile e Brasil: mar, vinho e neve como símbolos de amizade
Ao citar a descrição de Pablo Neruda sobre o Chile como uma “longa pétala de mar, vinho e neve”, Padovan estabeleceu uma conexão entre a poesia chilena e os vínculos históricos com o Brasil.
O mar foi associado ao potencial de integração proporcionado pelo Corredor Bioceânico de Capricórnio, projeto que busca conectar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, aproximando mercados sul-americanos e ampliando as possibilidades de comércio com outras regiões do mundo.
O vinho, por sua vez, foi apresentado como um dos produtos que aproximam os dois países. A embaixadora destacou a relevância da bebida chilena no mercado brasileiro, enquanto a neve foi relacionada ao turismo e ao fluxo de visitantes entre as duas nações.
Segundo os números mencionados durante a cerimônia, centenas de milhares de brasileiros viajam ao Chile, enquanto turistas chilenos visitam o Brasil todos os anos, fortalecendo os laços culturais e econômicos.
190 anos de relações diplomáticas
A embaixadora também ressaltou a importância dos 190 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Chile, mencionando o estabelecimento dos vínculos em 1836 e a assinatura do primeiro Tratado de Navegação, Amizade e Comércio, dois anos depois.
Em seu pronunciamento, Padovan destacou a expressão “amizade sem fronteiras”, associada ao Barão do Rio Branco, para caracterizar uma relação que, segundo ela, transcende diferentes governos e conjunturas políticas.
A cooperação econômica foi apresentada como um dos pilares dessa aproximação. A diplomata citou o comércio bilateral, os investimentos empresariais e o intercâmbio de produtos como salmão, azeite, vinho, carnes, café e cacau.
Também foram mencionadas oportunidades de colaboração em áreas estratégicas, incluindo a Antártica, a inteligência artificial e os minerais críticos.
Sobre o setor mineral, Padovan defendeu o fortalecimento das cadeias produtivas e a agregação de valor, com investimentos em tecnologia e industrialização, em vez da concentração das relações comerciais na venda de matérias-primas.
Integração regional, turismo e cooperação estratégica
A secretária destacou ainda o potencial de integração oferecido pelo Corredor Bioceânico de Capricórnio, além da conectividade aérea e do turismo como instrumentos de aproximação entre os países.
Segundo os dados apresentados em seu discurso, existem 15 rotas aéreas entre Brasil e Chile, sendo 10 diretas. A diplomata também mencionou os esforços para avançar na construção de um céu aberto sul-americano, no âmbito do Consenso de Brasília.
Ao tratar dos vínculos humanos, Padovan lembrou o acolhimento oferecido pelo Chile a brasileiros exilados durante o regime militar, citando personalidades como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Celso Furtado e Paulo Freire.
No encerramento, recorreu a versos da poeta chilena Gabriela Mistral, defendendo uma amizade entre Brasil e Chile baseada na democracia, na soberania, na inclusão, na solidariedade e na prosperidade.
Embaixador Issa Kort destaca pragmatismo e parceria estratégica
O embaixador do Chile no Brasil, Issa Kort, afirmou que a celebração do 18 de setembro representa uma oportunidade de recordar a história, as tradições e os elementos que definem a identidade chilena.
Ao abordar a relação bilateral, Kort ressaltou o respeito mútuo e a amizade construída entre os dois países ao longo de quase dois séculos.
O diplomata destacou que as relações políticas entre Chile e Brasil transcendem as diferentes orientações dos governos e se sustentam em princípios como confiança recíproca, previsibilidade e cooperação.
Como exemplos recentes, mencionou o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Antonio Kast, em Assunção, no Paraguai, durante a Cúpula do Mercosul, e a reunião da 7ª Comissão Bilateral Chile-Brasil, realizada em Brasília, em 4 de agosto.
Kort também antecipou a preparação da próxima visita oficial do presidente chileno ao Brasil, conforme relatado em seu discurso.
Comércio e investimentos movimentam a relação bilateral
Na área econômica, o embaixador informou que o intercâmbio comercial entre Chile e Brasil superou US$ 12 bilhões em 2025.
Segundo os dados apresentados por Kort, o Brasil é o principal parceiro comercial do Chile na América Latina e o terceiro maior parceiro do país no mundo, atrás da China e dos Estados Unidos.
O discurso também destacou o estoque de investimentos de empresas chilenas no Brasil, estimado em mais de US$ 35,2 bilhões, com geração de mais de 150 mil empregos diretos.
No sentido inverso, o Brasil foi apresentado como o maior investidor latino-americano no Chile, com investimentos superiores a US$ 4,5 bilhões em setores como energia, mineração, finanças e indústria farmacêutica.
Para o embaixador, os números refletem uma relação que envolve não apenas os governos, mas também empresas e investidores dos dois países.
Salmão, vinho e carne bovina: comércio em duas direções
A integração comercial também foi ilustrada por produtos que circulam entre os mercados brasileiro e chileno.
Kort mencionou a presença do salmão chileno no Brasil e a posição do país como um dos principais destinos do vinho chileno. Também destacou o envio de carne bovina brasileira ao Chile, ressaltando o caráter recíproco do intercâmbio comercial.
De acordo com os dados apresentados no discurso, o Brasil enviou mais de 136 mil toneladas de carne bovina ao Chile em 2025.
O embaixador associou esses fluxos comerciais ao avanço da integração regional e às oportunidades de ampliação dos negócios entre os países.
Corredor Bioceânico é apontado como oportunidade estratégica
O Corredor Bioceânico de Capricórnio foi um dos principais temas abordados por Issa Kort.
A iniciativa, que envolve Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, tem como objetivo facilitar a conexão entre o Atlântico e o Pacífico, contribuindo para a ampliação do comércio, dos investimentos e do desenvolvimento dos territórios envolvidos.
O embaixador destacou a importância de uma conectividade segura e confiável, com atenção à infraestrutura, à logística e à segurança do corredor.
Kort também reconheceu a atuação do Brasil na presidência pro tempore do projeto e mencionou a transição da responsabilidade para o Chile em novembro, conforme seu pronunciamento.
Turismo e presença diplomática chilena no Brasil
O turismo foi apresentado como outro componente importante da relação bilateral.
O embaixador afirmou que o Brasil é o principal destino dos turistas chilenos no exterior e citou o fluxo de visitantes entre os dois países em 2025.
O embaixador afirmou que o Brasil é o principal destino dos turistas chilenos no exterior e citou o fluxo de visitantes entre os dois países em 2025.
Além das relações econômicas e turísticas, Kort destacou o trabalho da Embaixada do Chile em Brasília e dos consulados-gerais em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Também mencionou a atuação das sete adidâncias, responsáveis por apoiar diferentes áreas da cooperação e da representação diplomática.
Ao concluir, agradeceu à equipe organizadora do evento, às instituições e às empresas que contribuíram para a realização da celebração, convidando os presentes a brindar pelo Chile, pelo Brasil e pela amizade entre os dois países.
Vila de vinhos chilenos valoriza a tradição vitivinícola e a presença da bebida no Brasil
Um dos destaques da celebração foi a presença de uma vila de vinhos chilenos, que proporcionou aos convidados a oportunidade de conhecer e degustar rótulos produzidos no país.
A iniciativa valorizou a tradição vitivinícola do Chile e reforçou a importância do vinho como elemento de conexão cultural e comercial entre chilenos e brasileiros.
O Chile possui uma indústria vitivinícola voltada tanto ao mercado interno quanto às exportações. No Brasil, os vinhos chilenos ocupam posição de destaque entre os produtos importados, com presença em diferentes faixas de preço e estilos.
Dados divulgados pela Logcomex indicam que o Chile respondeu por 36% do valor das importações brasileiras de vinho no primeiro trimestre de 2025, totalizando US$ 40,3 milhões. O país manteve a liderança entre os fornecedores estrangeiros no período.
Variedade de uvas e identidade dos vinhos chilenos
A produção de vinhos do Chile é reconhecida pela diversidade de seus terroirs, influenciados pela Cordilheira dos Andes, pelo Oceano Pacífico e pelas condições climáticas de diferentes regiões produtoras.
Entre as variedades encontradas nos vinhos chilenos estão a Cabernet Sauvignon, a Carménère, a Merlot, a Sauvignon Blanc e a Chardonnay. A Carménère, em particular, tornou-se uma das uvas mais associadas à identidade vitivinícola do país.
Os vinhos tintos, especialmente os elaborados com misturas de uvas e Cabernet Sauvignon, estão entre os produtos chilenos comercializados no mercado brasileiro. Dados do ProChile referentes ao período de janeiro a agosto de 2025 apontaram que essas categorias estiveram entre as mais exportadas para o Brasil.
Brasil amplia sua relevância como mercado consumidor
A relação comercial entre Brasil e Chile no segmento de vinhos tem apresentado relevância crescente. Em 2025, o Brasil foi apontado como o principal destino das exportações chilenas de vinho, de acordo com dados da indústria divulgados pela Reuters.
A reportagem informou que os embarques de vinho chileno para o Brasil cresceram quase 10% nos primeiros sete meses de 2025, enquanto o mercado brasileiro ganhou importância para os produtores do país.
A presença de uma vila de vinhos na celebração do Dia Nacional do Chile representa, nesse contexto, uma oportunidade de aproximar o público brasileiro da cultura, da produção e da diversidade dos vinhos chilenos. A degustação complementa a dimensão diplomática do evento ao criar um espaço de convivência e intercâmbio cultural.
Amizade sem fronteiras entre Chile e Brasil
Os discursos apresentados durante a celebração convergiram para a valorização dos vínculos históricos e para a ampliação da cooperação bilateral.
Com uma agenda que envolve comércio, investimentos, turismo, infraestrutura, ciência e tecnologia, Brasil e Chile buscam fortalecer as oportunidades de integração e desenvolvimento conjunto.
A celebração do Dia Nacional chileno em Brasília reafirmou, assim, a importância da diplomacia, do diálogo entre governos e do contato entre os povos como instrumentos de aproximação entre as duas nações.
Viva o Chile! Viva a amizade entre Chile e Brasil!
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