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O Brasil deu mais um passo para consolidar a cultura como parte da agenda climática internacional. Durante a London Climate Action Week, o Ministério da Cultura (MinC) promoveu, na última sexta-feira (26), em Londres, o Seminário Internacional sobre Cultura e Mudança do Clima, reunindo especialistas, artistas, cientistas e lideranças indígenas para discutir como a cultura pode impulsionar respostas à emergência climática.
Mais do que promover um debate, o encontro reforçou a estratégia brasileira de ampliar a presença da cultura nas discussões internacionais sobre o clima. A proposta é fortalecer a cooperação entre governos, organismos internacionais, universidades, instituições culturais e sociedade civil, reconhecendo que as transformações necessárias para enfrentar a crise climática também passam pelos valores, pelas narrativas e pela capacidade da cultura de mobilizar pessoas e inspirar mudanças.
A abertura foi marcada pela exibição de Chants to Cool the Earth, canto ritual sagrado dos povos Guarani e Kaiowá, que convida à reflexão sobre o aquecimento global e evidencia a importância dos conhecimentos ancestrais para a proteção da biodiversidade e dos territórios tradicionais.
Em mensagem transmitida em vídeo, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o esforço do Brasil para consolidar a cultura como parte das respostas globais à crise climática e defendeu que os avanços alcançados nos últimos anos sejam transformados em cooperação internacional, políticas públicas e mobilização social.
Durante a abertura, o assessor especial do Ministério da Cultura, Carlos Paiva, lembrou a trajetória construída pelo Brasil desde a primeira edição do Seminário Internacional sobre Cultura e Mudança do Clima, realizada em Salvador durante a presidência brasileira do G20, e seu desdobramento na COP30, em Belém.
“O reconhecimento da cultura como objetivo estratégico da Agenda de Ação da COP30 representa um marco histórico. O desafio agora é transformar esse reconhecimento em implementação, cooperação e ação concreta”, afirmou.
A programação reuniu representantes de governos, universidades, fundações, organismos internacionais e instituições culturais de diferentes países. Entre os participantes estavam o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a economista Mariana Mazzucato, o cientista Tim Lenton, a artista Es Devlin e representantes da Unesco, da ClimateWorks Foundation e da Queen Mary University of London.
Organizado em dois eixos temáticos, o seminário debateu formas de fortalecer a cooperação internacional para acelerar a transição sustentável e discutiu como as artes, as narrativas, a imaginação coletiva e os saberes tradicionais podem ampliar o engajamento da sociedade diante da emergência climática.
Para Thiago Jesus, co-diretor do People’s Palace Projects, da Queen Mary University of London, ampliar a capacidade de imaginar futuros comuns é parte essencial da resposta aos desafios climáticos. “O futuro é um exercício de imaginação coletiva que realizamos no presente. A cultura é a infraestrutura social capaz de acelerar a implementação e viabilizar as transformações de que precisamos, na velocidade e na escala que este momento exige”, afirmou.
O encerramento do seminário ficou por conta do artista indígena Eric Terena, que apresentou a obra Onjokena Emou, criada a partir de registros sonoros do povo Guarani e Kaiowá reunidos no projeto Guarani and Kaiowá Digital Archive. A performance reforçou uma das principais reflexões do encontro: as respostas à emergência climática também passam pela valorização da memória, dos conhecimentos tradicionais, da criatividade e de novas formas de convivência entre sociedade e natureza.
Com a edição de Londres, o Brasil amplia uma articulação internacional iniciada durante a presidência do G20 e fortalecida na COP30, voltada a inserir a cultura no centro das estratégias globais de enfrentamento da crise climática. A agenda terá continuidade durante a São Paulo Climate Week, em agosto de 2026, dando sequência ao diálogo entre governos, pesquisadores, artistas e organizações da sociedade civil sobre o papel da cultura na construção de soluções para os desafios climáticos.
Fonte: MinC


