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No âmbito da missão técnica Brasil–México “Diálogos de cooperação Sul-Sul em sistemas alimentares sustentáveis: Experiências exitosas de políticas de segurança alimentar e nutricional (SAN), controle inflacionário e abastecimento alimentar”, a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no México, Lina Pohl, destacou o poder transformador da cooperação Sul-Sul quando baseada na confiança, no diálogo franco e no compromisso com as populações mais vulneráveis.

“Na FAO, celebramos os aprendizados mútuos que essa missão gerou, mas, sobretudo, reiteramos nossa disposição de continuar acompanhando tecnicamente ambos os países. México e Brasil são pilares na construção de sistemas agroalimentares mais inclusivos, resilientes e sustentáveis na América Latina. Esta visita não representa um encerramento, mas sim um ponto de partida para avançarmos em uma agenda compartilhada com visão regional e de longo prazo.”

A missão técnica foi organizada a pedido das autoridades brasileiras interessadas em trocar experiências em controle inflacionário e segurança alimentar e coordenada pela Secretaria de Agricultura do México e apoiada pelo Programa de Cooperação Internacional Brasil–FAO, no âmbito do projeto “Fortalecimento da agenda regional de sistemas alimentares para o contínuo urbano-rural na América Latina e no Caribe”.

O secretário e responsável pela cooperação técnica na Embaixada do Brasil no México, Vinicius Trindade, sublinhou a importância do diálogo bilateral. “Estamos em um momento crucial para repensar nossas ferramentas de política pública. A cooperação técnica entre Brasil e México, com o apoio da FAO, pode contribuir para gerar soluções inovadoras que melhorem o acesso a alimentos saudáveis, enfrentem a inflação alimentar e fortaleçam os sistemas de abastecimento urbano”, declarou.

O secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Julio Berdegué, enfatizou que o Plano México aposta no aumento da produção nacional de alimentos estratégicos como milho, feijão, arroz e leite, fortalecendo a renda dos produtores e reduzindo a dependência externa. Ele também reconheceu a necessidade de melhorar os sistemas de abastecimento urbano e articular políticas públicas que garantam um acesso equitativo à alimentação em um cenário internacional cada vez mais incerto.

“O que foi construído no México não é controle de preços nem imposição econômica. É um acordo que tem funcionado e representa um apoio real ao bem-estar da população. O desafio não é assiná-lo, mas construí-lo”, destacou Berdegué, ressaltando a importância de garantir uma renda justa para os pequenos e médios produtores e de avançar em direção a uma rede de comercialização mais eficiente.

O oficial de Políticas da FAO, Joao Intini, lembrou que, desde a pandemia, os mercados tradicionais de alimentos demonstraram ser fundamentais para garantir o abastecimento alimentar na região. “Os mercados não fecharam suas portas. Enquanto tudo parava, eles funcionavam 24 horas por dia, sete dias por semana. Foi daí que nasceu nosso programa de modernização dos mercados tradicionais, com comunidades de prática em mais de 150 centrais de abastecimento. Hoje, essa experiência nos permite olhar para o futuro e construir novas soluções com base na inovação logística, digital, ambiental e financeira, com foco nas pessoas e no acesso a alimentos saudáveis”, apontou.

Durante a semana de trabalho, a delegação brasileira — composta por representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), da Embaixada do Brasil no México, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) — participou de encontros com diversas instituições mexicanas, incluindo a Secretaria de Agricultura, a Central de Abasto da Cidade do México, o programa Alimentação para o Bem-Estar e seus órgãos Leite para o Bem-Estar e Lojas para o Bem-Estar (antigas Liconsa e Diconsa, respectivamente), além da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Cidade do México (SEDECO).

Entre os principais pontos da agenda conjunta de trabalho estão:
Fortalecer a eficiência logística e operacional dos sistemas públicos de abastecimento e distribuição de alimentos em ambos os países;
Desenvolver sistemas robustos de informação agroalimentar, com dados estatísticos, geoespaciais e registros de consumo e comercialização;
Trocar experiências sobre modernização de mercados e centrais de abastecimento, incluindo economia circular, gestão de resíduos e governança;
Promover visitas técnicas recíprocas para conhecer em profundidade as políticas alimentares dos dois países;
Explorar espaços conjuntos de formulação de políticas públicas, com apoio da FAO, para enfrentar desafios como a inflação de alimentos, urbanização, segurança alimentar e mudanças climáticas.

Fonte: FAO Brasil.

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