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São mantas, bolsas, blusas, calças de lã, algodão ou alpaca, feitas por artesãs bolivianas de Norte a Sul do país, à venda em feiras, lojinhas ou mercados. As peças – também bandejas, chaveiros, colares, brincos, pulseiras – trazem a marca da cultura de cada região, lembrando as lhamas, instrumentos musicais como a zampoña, os pássaros ou as minas, sempre em cores vivas, vibrantes.
Temos as mantas para carregar crianças ou algo pesado nas costas”, lembra a encarregada de negócios da embaixada da Bolívia, Juana Zambrana. Em entrevista ao Diplomacia Business, Juana apresenta uma dessas mantas e mostra como é dobrada para segurar os bebês. Em formato quadrado, com cerca de 1,2 metros de cumprimento de cada lado, essas mantas são confeccionadas principalmente em La Paz, Oruro e Potosí, segundo a diplomata.
Uma ponte
Os bolivianos em geral sabem de uma lenda, segundo a qual, a prata e ouro retirados do país pelos espanhóis foi tanta que daria para fazer uma ponte no Oceano, entre os dois países. Contudo, ainda tem muito desses preciosos materiais na Bolívia, com alta qualidade e preços bons. São anéis, brincos, pulseiras, correntes, enfeites de paredes, principalmente em prata retratando a vida no país.
Alguns ornamentos foram apresentados pela adida cultural Juana Zambrana, com uma bandeja não muito grande, banhada de prata por dentro, e de ouro, nas bordas redondas, que pode ser usada para enfeitar mesas ou paredes. Nas bordas da bela peça, por exemplo, estão os desenhos de uma lhama, um trem, o Cristo Redentor e uma chola bailando, representando, respectivamente, as cidades de La Paz, Oruro, Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra.
“Balanças de prata são também tradição”, comenta a diplomata que cita lugares onde se pode adquirir boa prataria e artesanato na Bolívia, como as as lojinhas do mercado La Ramada, no centro de Santa Cruz de La Sierra; e as feiras Alasitas, que ocorrem em todo o país, em janeiro. A característica principal dessa feira é a venda de miniaturas. A divindade Aimará Ekeko, o Deus da Abundância, é o objeto mais procurado nas Alasitas.
Empoderamento Feminino
Juana destaca os grupos de mulheres artesãs, que se juntam em cooperativas e associações, apoiadas pela Federação Bartolina Sisa, com oficinas diversas. Bartolina foi uma indígena da etnia Aimará, que liderou revoltas contra o domínio espanhol. Foi comerciante, guerrilheira e mulher do Tupac Katari, líder indígena Inca.
As mulheres são as protagonistas do artesanato boliviano, mas a maioria ainda convive com a tradição em que os homens são os mandatários do lar. Tradição esta que a ministra da Cultura da Bolívia, a líder indígena Sabina Orellana, quer mudar, segundo a adida cultural da embaixada da Bolívia. “A ministra trabalha para que as mulheres bolivianas tenham autonomia”, explica a diplomata.
Carnaval de Oruro
Juana Zambrana destaca também a importância de tradições na Bolívia como o Carnaval de Oruro, classificado pela Unesco, em 18 de maio de 2001, como Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade. É um Carnaval, em fevereiro, animado por grupos folclóricos e danças diversas, representando os nove departamentos (estados) da Bolívia. Os mascarados saem às ruas das cidades, vestidos com diferentes fantasias, eufóricos e puxando blocos. O evento está sendo promovido pela ministra da cultura da Bolívia, Sabina Orellana.


