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Aos 26 anos, Rebeca Bento Luís transforma lixo em arte e constrói, com as próprias mãos, um novo futuro – para si mesma, para sua comunidade e para o meio ambiente. Moradora de Luanda, capital de Angola, Rebeca teve que interromper o sonho de cursar análises clínicas quando engravidou e perdeu o apoio da família para continuar os estudos. Sem alternativa, buscou abrigo na casa de uma tia e, pouco tempo depois, abraçou uma nova possibilidade: trabalhar como catadora em uma cooperativa de limpeza urbana.
Foi uma amiga quem contou sobre a seleção da Cooperativa COLIMPA. Sem pensar duas vezes, ela se inscreveu. A COLIMPA atua no município do Cazenga e nasceu da urgência de manter as ruas limpas, reduzir riscos de doenças causadas pelo lixo e promover educação ambiental. Ali, Rebeca encontrou não só uma fonte de renda, mas também um propósito.
“Me apaixonei pelo meu trabalho. Quero que cada resíduo tenha o destino certo e cause o menor impacto possível ao ambiente”, afirma. Seu envolvimento foi tão profundo que passou a reutilizar materiais descartados, criando objetos como bolsas, cofres, quadros e vasos de plantas. “É possível fazer arte com resíduos”, resume.
Em junho de 2023, Rebeca foi indicada pela cooperativa para participar da formação em Saneamento Condominial e Gestão de Resíduos, promovida pelo UNICEF. Durante dois meses, ela aprendeu sobre o reaproveitamento de materiais, a importância da atuação comunitária e a criação de cooperativas que possam atuar em parceria com o poder público.
Foi ali que nasceu um novo sonho: tornar-se engenheira ambiental. “Desde que aprendi a amar o que faço, comecei a me entregar de verdade. Quero contribuir de forma mais sistemática para cuidar do nosso meio ambiente”, conta.
Segundo Rebeca, o trabalho com resíduos também protege a saúde das crianças, ao afastá-las dos perigos causados pelo descarte inadequado do lixo. “A cooperativa evita que elas se contaminem e adoeçam. Isso me motiva todos os dias. ”
Hoje, Rebeca sustenta a família com o que ganha na catação. Conseguiu pagar os custos de seu casamento, alimenta seus dois filhos – de seis e dois anos – e se emociona ao lembrar da reação do pai ao receber os certificados dos cursos realizados. “Vi o orgulho nos olhos dele. Quero dar um futuro melhor aos meus filhos, que são minha maior força. ”
Saneamento Simplificado
A história de Rebeca é resultado de uma parceria internacional de impacto. A formação de catadores em Angola faz parte do projeto “Melhoria de Serviços de Saneamento, Água, Higiene e Gestão de Resíduos”, uma iniciativa de Cooperação Trilateral Sul-Sul que reúne o Governo de Angola, o UNICEF e os países do Fórum de Diálogo IBAS (Índia, Brasil e África do Sul).
A iniciativa está inserida na Estratégia Nacional de Saneamento de Angola e é fruto de uma cooperação trilateral. É implementada conjuntamente pelo Governo de Angola, por meio do Ministério do Ambiente (MINAMB), e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores (MRE), com apoio técnico de instituições brasileiras: Secretaria das Cidades do Estado do Ceará (SCidades-CE), Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE) e Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). O projeto é financiado pelo Fundo Índia, Brasil e África do Sul (Fundo IBAS), administrado pelo Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul (UNOSSC).
Com foco em soluções sustentáveis e na valorização do trabalho comunitário, o Saneamento Simplificado aposta na formação de agentes locais, na mobilização social e na inclusão produtiva como caminhos para enfrentar os desafios sanitários em contextos vulneráveis. A atuação conjunta promove dignidade, saúde e novas oportunidades – e transforma realidades, como a de Rebeca e de outros tantos angolanos.
Fonte: UNICEF Angola.


