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Por Adail Filho, Deputado Federal pelo Amazonas
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Pedro Merheb, Advogado. Consultor-chefe da Merheb Consultores
A BR-319 é uma das parcas soluções à dependência aquaviária que embaraça o desenvolvimento e integração do Norte brasileiro. Porém, embora idealizada há mais de 40 anos para ligar Manaus a Porto Velho, facilitando o deslocamento através dos 885 quilômetros que separam as duas capitais, até a publicação deste texto, segue com 405 quilômetros intrafegáveis dada a sabotagem insuspeita dos órgãos federais comprometidos com tudo, menos com o interesse nacional.
O “trecho do meio”, correspondente ao atoleiro de 405km, que nem sempre ostentou o descaso que o caracteriza no presente, é o purgatório de centenas de veículos e mercadorias que nele soçobram diariamente enquanto promessas estéreis de asfaltamento são renovadas a cada governo, como se tentasse esconder a vassalagem ao relacionamento entre órgãos do poder público e organizações não-governamentais que fazem da prostração econômica do Norte o seu ofício.
A promiscuidade descrita, cuja vítima imediata é a economia do sudoeste amazônico, atenta também contra o nosso comércio exterior, ao precipitar mercadorias que escoariam de Manaus às cidades portuárias de Callao e Pisco no Peru, e de lá para todo o Pacífico, em um verdadeiro lamaçal de covardia e omissão ensaboadas com um ambientalismo tão ralo que mal consegue esconder o dolo pelo isolamento das populações beneficiadas pela pavimentação da BR-319.
A representação dos estados do Amazonas e de Rondônia no Congresso Nacional se tornam as trincheiras pela infraestrutura do sudoeste amazônico quando a expansão da mobilidade regional e a integração do comércio exterior por meio da BR-319 é barbarizada sem misericórdia em uma guerra que nos remete à lição de Richard Nixon sobre os riscos de “pessoas pequenas em grandes posições”, tão distante da nossa sabedoria institucional, tão estranha à articulação das nossas prioridades domésticas.
Dentre as ações legislativas, destacam-se a aprovação do PL 4994/23 que reconhece a rodovia BR-319 como infraestrutura crítica, indispensável à segurança nacional para garantir a sua trafegabilidade, bem como a articulação com o Poder Executivo para que o Ministro dos Transportes, Renan Filho, criasse um grupo de trabalho dedicado especificamente para a BR-319 ao final de 2023.
Em um governo cuja cúpula ambiental insinua que a BR-319 “serve para andar de carro” e menoscaba a sua importância, a militância obstinada pela infraestrutura do sudoeste amazônico se torna mandatória para todos os tomadores de decisão que enxergam nessa causa não apenas um imperativo da mobilidade regional, mas a sua potência enquanto canal para a integração do comércio exterior brasileiro pela diversificação das rotas que ligam o Brasil aos seus principais parceiros.


